por DaBoa Brasil | mar 25, 2024 | Cultivo
Quando você cultiva, não consegue ver o mundo microscópico da zona radicular ou como suas plantas de maconha se alimentam. Felizmente, a ciência nos explica esse processo misterioso. No post de hoje, você aprenderá sobre os diferentes nutrientes necessários às plantas de maconha, por que precisam deles e como acessá-los.
As plantas de cannabis requerem uma dieta variada para sobreviver e produzir colheitas abundantes. Ao longo do ciclo de cultivo, a maconha depende de um delicado equilíbrio de minerais e elementos para cumprir as suas funções fisiológicas essenciais. Esses nutrientes se enquadram em duas categorias principais: macronutrientes e micronutrientes.
MACRONUTRIENTES VS. MICRONUTRIENTES
As plantas de maconha necessitam de macronutrientes em grandes quantidades, tal como as proteínas, gorduras e hidratos de carbono constituem a base da dieta humana.
As plantas requerem grandes quantidades de nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K). As necessidades desses nutrientes (ou proporção de NPK) pelas plantas mudam dependendo do estágio de crescimento. Na fase vegetativa, as plantas necessitam de mais N e menos P e K. Por outro lado, durante a floração necessitam de muito menos N e maior quantidade de P e K.
Esses três elementos são os macronutrientes essenciais contidos no solo. Mas as plantas também obtêm três macronutrientes adicionais do ar e da água: carbono, hidrogênio e oxigênio.
Por outro lado, as plantas também precisam de uma lista bastante longa de micronutrientes para se manterem saudáveis, produtivas e livres de doenças. Embora exijam essas moléculas apenas em pequenas quantidades, a falta de micronutrientes pode causar sérios problemas. Isto poderia ser comparado à necessidade humana de ingerir vitaminas; não necessitamos de grandes quantidades, mas a nossa saúde é afetada pela falta delas.
FASE VEGETATIVA: N = 10 / P = 5 / K = 7
FASE DE FLORAÇÃO: N = 5 / P = 18 / K = 5
NUTRIENTES MÓVEIS VS. IMÓVEIS
Os nutrientes necessários à cannabis são divididos em duas categorias, que definem a sua transportabilidade: móveis e imóveis. As plantas podem transportar nutrientes móveis para áreas da planta onde são mais necessários. Portanto, as deficiências de nutrientes móveis aparecem primeiro nas folhas mais velhas, à medida que as plantas priorizam a saúde dos brotos mais novos.
Por outro lado, os nutrientes imóveis permanecem fixos em um só lugar. Nesse caso, os sintomas de deficiência nutricional aparecerão nas folhas mais jovens, pois não têm acesso a esses nutrientes. A lista abaixo indica quais nutrientes possuem propriedades móveis e imóveis.
NUTRIENTES IÔNICOS
As plantas de maconha não são capazes de mastigar matéria orgânica e extrair os minerais de seu interior. Em vez disso, nos cultivos biológicos, os microrganismos fazem este trabalho árduo: decompõem o esterco e o composto, libertando os nutrientes contidos no seu interior.
Por outro lado, nos cultivos não orgânicos, os fertilizantes sintéticos embebem o solo com nutrientes que podem ser facilmente absorvidos pelas plantas. Mas em ambos os casos, as plantas só conseguem absorver nutrientes na forma de íons. Essas partículas eletricamente carregadas podem ter carga positiva (cátions) ou carga negativa (ânions). Por exemplo, as plantas absorvem nitrogênio na forma de cátion amônio ou ânion nitrato. Eles só podem acessar o fósforo na forma de dois ânions e o potássio na forma do cátion K+.
Simplificando, para serem absorvidos pelas raízes das plantas, os nutrientes devem ser decompostos ou fornecidos de forma refinada. Esses nutrientes não acessam as plantas por meio de um processo passivo, como a difusão, mas entram por meio de um transporte ativo usando ATP (trifosfato de adenosina, a principal fonte de energia na maioria dos processos celulares) e proteínas ligadas à membrana. Este processo permite que os íons se movam da zona radicular para os tecidos radiculares.
MACRONUTRIENTES DO AR E DA ÁGUA
As plantas de maconha obtêm três macronutrientes de forma bastante autossuficiente. Esses elementos são absorvidos do ar ou gerados como subproduto da fotossíntese.
CARBONO: as plantas “inalam” dióxido de carbono do ar através de minúsculos poros na superfície das folhas, chamados estômatos. Mas os estômatos nem sempre estão abertos para a entrada de dióxido de carbono. Um par de células-guarda é responsável por abrir e fechar cada poro dependendo da demanda desse recurso.
O dióxido de carbono desempenha um papel fundamental na saúde das plantas. As plantas convertem esse gás na energia necessária ao seu desenvolvimento e utilizam-no junto com a água para realizar a fotossíntese.
HIDROGÊNIO: as plantas obtêm hidrogênio da molécula de água durante o processo de fotossíntese. Esta reação é alcançada aproveitando o poder da energia luminosa.
O hidrogênio é outro elemento básico para o desenvolvimento das plantas. Durante a fotossíntese, as plantas usam íons de hidrogênio para conduzir a cadeia de transporte de elétrons.
OXIGÊNIO: as partes aéreas das plantas obtêm oxigênio pela divisão das moléculas de dióxido de carbono. Em vez disso, as raízes “respiram” oxigênio, pois não têm acesso à luz e não realizam a fotossíntese.
As plantas precisam de oxigênio durante o processo respiratório para ajudá-las a liberar energia da glicose armazenada, produzida durante a fotossíntese.
MACRONUTRIENTES DO SOLO
O resto dos macronutrientes de que as plantas de maconha necessitam vêm do solo, seja na forma de matéria orgânica em decomposição ou de fertilizantes sintéticos. A seguir explicamos as funções dessas importantes substâncias.
NITROGÊNIO: o nitrogênio se comporta como um nutriente móvel na planta da cannabis, na forma de nitrato. Ao longo do ciclo de crescimento, o nitrogênio é o nutriente mais necessário para as plantas, acima dos demais. Mas 98% do nitrogênio do solo existe na forma orgânica; portanto, microrganismos são necessários para ajudar a mineralizar essa preciosa substância, para que ela possa ser absorvida pelas plantas.
Quando finalmente está em seu interior, as plantas dependem do nitrogênio para seu crescimento e desenvolvimento geral. Esse nutriente também é parte essencial da molécula de clorofila, que permite às plantas realizar a fotossíntese. O nitrogênio também é um elemento importante dos aminoácidos, que são os blocos de construção das proteínas.
FÓSFORO: por ser um nutriente móvel, o fósforo é disponibilizado para brotos jovens e imaturos. As plantas o absorvem como um ânion e o utilizam em uma longa lista de processos fisiológicos. O fósforo é encontrado em cada uma das células de uma planta, o que mostra sua importância.
Participa da transferência de energia, da fotossíntese e da transformação de amidos e açúcares. Também ajuda a movimentar nutrientes pelas plantas e auxilia na transferência de características genéticas para a próxima geração.
Este elemento desempenha um papel fundamental na fase vegetativa, contribuindo para o desenvolvimento das raízes e para a resistência do caule. Mais tarde no ciclo de crescimento, o fósforo ajuda as plantas a resistir a doenças e também contribui para a formação de flores e a produtividade das plantas.
POTÁSSIO: as plantas de maconha absorvem esse nutriente móvel na forma de um cátion mineral. Se de repente eles não conseguissem acessar esse item essencial, isso causaria um grande problema. O potássio contribui para o desenvolvimento das plantas, funções metabólicas, tolerância ao estresse, crescimento radicular e estrutura do sistema radicular.
Este nutriente também desempenha um papel vital na conservação da água. Lembra daquelas células de guarda que mencionamos antes? Elas precisam de potássio para abrir e fechar os estômatos. As plantas perdem água sempre que absorvem dióxido de carbono através desses pequenos poros. Quando a água é escassa, as plantas precisam de potássio para fechar os estômatos e reter o máximo de água possível.
As plantas também dependem do potássio como ativador enzimático e é um elemento-chave na síntese de proteínas.
MACRONUTRIENTES SECUNDÁRIOS
No entanto, a maconha precisa de mais do que esses três nutrientes para crescer e prosperar. Depende também de macronutrientes secundários como cálcio, magnésio e enxofre, que desempenham um papel vital no desenvolvimento das plantas.
CÁLCIO: as plantas precisam de cálcio para sua resistência estrutural. O nutriente imóvel (na forma de pectato de cálcio) mantém unidas as paredes e membranas das células vegetais. Este elemento também serve como mensageiro intracelular, ajudando a regular a atividade hormonal e enzimática.
MAGNÉSIO: o magnésio é o motor da fotossíntese. Este nutriente móvel forma o núcleo da molécula de clorofila, onde permite que a estrutura capture a luz solar usada para criar açúcares. As plantas também precisam de magnésio para a divisão celular, síntese de proteínas, metabolismo do fosfato e ativação enzimática.
ENXOFRE: este nutriente semimóvel só é necessário em pequenas quantidades. Mas sem ele, as plantas teriam dificuldade em formar enzimas essenciais. Além disso, o enxofre ajuda a construir proteínas vegetais, vitaminas e aminoácidos.
MICRONUTRIENTES
Os micronutrientes são necessários em quantidades menores, mas ainda desempenham um papel crítico na fisiologia das plantas. As deficiências destes elementos são geralmente raras, mas a falta de micronutrientes pode afetar negativamente a saúde, o crescimento e a produtividade das plantas.
BORO: o boro ajuda a fortalecer as paredes celulares. Tem uma importante função estrutural; Cerca de 90% desse nutriente ajuda a reticular as grandes moléculas de carboidratos que constituem as paredes celulares. Se as suas plantas sofrem de deficiência de boro, a sua estrutura pode ser afetada.
COBRE: o cobre também contribui para o complexo processo de fotossíntese. Além disso, este nutriente móvel ajuda as plantas a metabolizar carboidratos e proteínas.
FERRO: o ferro é um nutriente semimóvel que ajuda as plantas a manter a estrutura e a função dos cloroplastos, organelas que convertem a energia luminosa em açúcares para serem utilizados pelas células vegetais. O ferro também é um componente importante em muitas enzimas e pigmentos.
MANGANÊS: o manganês contribui para alguns dos sistemas e funções mais importantes das plantas de cannabis, incluindo: assimilação de nitrogênio, respiração e fotossíntese. Este nutriente também desempenha um papel importante na reprodução, auxiliando no desenvolvimento dos tubos polínicos e na germinação do pólen.
MOLIBDÊNIO: o molibdênio desempenha um papel importante em duas enzimas que permitem a síntese de aminoácidos pelas plantas. Uma dessas enzimas ajuda a converter nitrato em nitrito, enquanto a outra converte nitrito em amônia. As plantas podem transportar facilmente este nutriente móvel para áreas onde é mais necessário.
ZINCO: o zinco influencia muitos processos vegetais importantes, embora apenas em pequenas doses. Este nutriente imóvel faz parte de diversas enzimas e proteínas e contribui para a produção de hormônios de crescimento e para o desenvolvimento de entrenós.
Referência de texto: Royal Queen
por DaBoa Brasil | mar 21, 2024 | Ciências e tecnologia, Saúde
Um novo estudo financiado pelo governo dos EUA que examinou os possíveis riscos da doação de órgãos por consumidores de maconha não encontrou nenhuma indicação de que o consumo recente de cannabis aumente a probabilidade de efeitos secundários significativos no ano imediatamente após um transplante – mesmo que muitos prestadores de cuidados de saúde continuem a restringir os transplantes aos consumidores de maconha.
As conclusões da investigação, que analisou as taxas de infecções, fracassos de transplantes e mortes entre os receptores, “sugerem que os órgãos de dadores com histórico de consumo recente de maconha não representam riscos infecciosos significativos no período inicial pós-transplante”.
“Apesar da preocupação de que a exposição do doador à maconha aumente o risco de infecção fúngica nos receptores, nosso estudo descobriu que um histórico de uso de maconha do doador não aumentou (1) a probabilidade de positividade da cultura do doador (incluindo culturas respiratórias), ou (2) o risco de infecção bacteriana ou fúngica precoce do receptor, falha do enxerto ou morte pós-transplante”, escreveram os autores. “Mesmo ao avaliar apenas receptores de pulmão, não permaneceu nenhuma associação entre o uso de maconha por doadores e o risco de infecção pós-transplante”.
À medida que mais estados legalizaram a maconha, as taxas relatadas de consumo entre adultos também aumentaram, observa o novo estudo, publicado no final do mês passado no American Journal of Transplantation. “É provável que uma proporção crescente de doadores de órgãos falecidos também tenha um histórico de uso de maconha”, afirma, “embora esta métrica não tenha sido relatada especificamente”.
“Nossos dados sugerem que órgãos de doadores com histórico de uso recente de maconha não representam riscos infecciosos significativos no período pós-transplante inicial”.
As infecções são a principal preocupação, continua, apontando para descobertas anteriores de que as próprias folhas de maconha podem estar contaminadas com bactérias e fungos potencialmente perigosos. A maconha inalada tem sido associada a certas infecções entre receptores de transplantes, enquanto surtos bacterianos também têm sido associados ao uso de maconha entre a população não transplantada.
O que ficou menos claro é se os órgãos de usuários de maconha poderiam representar riscos para os receptores de transplantes.
“Se um doador de órgãos falecido com histórico de uso de maconha apresenta risco para o receptor de TOS [transplante de órgãos sólidos] não foi claramente avaliado”, diz o jornal, e “nenhum estudo determinou o impacto do uso de maconha de doadores de TOS na cultura do doador nos resultados e risco de infecção derivada do doador (DDI) entre os receptores”.
“O objetivo do nosso estudo”, escreveram os autores, “é caracterizar melhor os riscos de infecção que o uso de maconha entre doadores de órgãos falecidos pode representar para os receptores de TOS”.
Conduzido por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, da Universidade da Califórnia em São Francisco, da Universidade Temple e do Programa de Doadores Gift of Life, o estudo analisou dados de três centros de transplante na Filadélfia. Incluiu transplantes entre 1º de janeiro de 2015 e 30 de junho de 2016 envolvendo órgãos adquiridos pelo programa Gift of Life. A pesquisa foi financiada pelos Institutos Nacionais de Saúde, Centros de Controle e Prevenção de Doenças e Programa de Subsídios para Pesquisa Inovadora da Transplant Foundation.
Os transplantes foram definidos como provenientes de um usuário recente de maconha se um exame toxicológico mostrou a presença de THC ou se um parente próximo ou um informante do doador relatou que o doador tinha um histórico de uso de maconha nos últimos 12 meses.
Analisando dados de centenas de transplantes de órgãos, os pesquisadores avaliaram três resultados primários: se as culturas dos próprios doadores tiveram resultado positivo para infecção bacteriana ou fúngica, se os receptores de órgãos desenvolveram novas infecções bacterianas ou fúngicas invasivas e se o transplante resultou na falha do enxerto ou na morte do receptor. Para cada resultado, não encontraram aumento significativo no risco envolvendo doadores com histórico de uso recente de cannabis.
“Entre os doadores com histórico de uso recente de maconha, 79 (89%) tiveram pelo menos 1 cultura positiva, em comparação com 264 (87%) entre aqueles sem histórico de uso de maconha”, diz, por exemplo. “Nas culturas respiratórias de doadores, 76 (85%) doadores com histórico de uso recente de maconha e 250 (82%) doadores sem histórico de uso recente de maconha apresentaram crescimento bacteriano ou fúngico em culturas respiratórias. Tanto nas análises não ajustadas quanto nas análises multivariáveis, não houve associação entre o uso recente de maconha por doadores e a positividade da cultura dos doadores”.
Notavelmente, o estudo não levou em conta a quantidade ou a duração do uso de maconha pelos doadores. Também teve uma coorte menor de receptores de transplante de pulmão do que estudos anteriores, que os autores observam “mostraram resultados mistos”.
O relatório reconhece que confiar em entrevistas com parentes próximos ou informantes de doadores era “uma medida imperfeita” do consumo real de cannabis por um doador, embora acrescentassem que “quando limitamos o grupo exposto àqueles com um exame toxicológico positivo para THC, não permaneceu nenhuma associação com resultados de cultura de doadores ou resultados de receptores”.
“Em conclusão”, escreveram eles, “nosso estudo demonstra que os doadores com histórico de uso recente de maconha não têm maior probabilidade de ter culturas de doadores positivas, e seus receptores não têm maior probabilidade de desenvolver uma infecção bacteriana ou fúngica, falência do enxerto ou morte no período pós-transplante precoce (no contexto da gestão atual). Estes resultados sugerem que órgãos de doadores com histórico de uso recente de maconha não representam novos riscos infecciosos significativos para os receptores no período pós-transplante inicial”.
As orientações atuais sobre o uso de maconha e a doação de órgãos são inconsistentes, como observado em uma análise recente feita por um estudante do Centro Petrie-Flom da Faculdade de Direito de Harvard. A Rede e Aquisição de Órgãos dos EUA transfere as decisões sobre a elegibilidade para transplantes para cada centro de transplante, afirma, embora na prática muitos consumidores de maconha sejam considerados inelegíveis.
“Muitos centros de transplante impedem que os usuários de cannabis recebam transplantes de órgãos sólidos devido a preocupações relacionadas às interações entre a cannabis e os medicamentos imunossupressores usados para transplantes, não adesão ao tratamento, infecções fúngicas e efeitos neuropsiquiátricos”, diz a revisão.
Mas o estudo mais recente faz parte de um conjunto crescente de trabalhos que se opõem a essa política. “Embora sejam necessários estudos em maior escala para validar estas descobertas, estes estudos sugerem que o uso medicinal de cannabis não deve ser uma contraindicação absoluta ao transplante de órgãos sólidos”, diz o post de Harvard. “A pesquisa também sugeriu que o THC, um componente da cannabis, pode realmente ajudar a prevenir a rejeição de transplantes”.
Quanto à identificação efetiva do consumo recente de maconha, espera-se que pelo menos dois desenvolvimentos recentes permitam aos investigadores testar os indivíduos com mais precisão. Os pesquisadores por trás de um estudo financiado pelo governo dos EUA disseram recentemente que desenvolveram novos procedimentos para aumentar a seletividade de um método popular de teste forense, permitindo uma melhor detecção do delta-9 THC e seus metabólitos no sangue.
O governo dos EUA também financiou pesquisas separadas publicadas recentemente, identificando um novo método promissor para testar o uso recente de maconha. Esse estudo, financiado em parte pelo Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas (NIDA), determinou que um método de teste mais preciso do que o usado atualmente é a análise da proporção molar de metabólitos de THC para THC-COOH no sangue.
A investigação faz parte de um apelo crescente por formas mais precisas e fiáveis de medir o consumo recente e a imparidade da maconha – muitas vezes relacionada com a condução – à medida que mais jurisdições legalizam a erva.
Referência de texto: Marijuana Moment
por DaBoa Brasil | mar 17, 2024 | Psicodélicos, Saúde
Um novo estudo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) Psychology analisou pares de gêmeos em um esforço para desvendar a relação entre o uso de psicodélicos e sintomas psicóticos ou maníacos em jovens, concluindo – ao contrário dos temores populares – que o uso de os psicodélicos “podem estar associados a taxas mais baixas de sintomas psicóticos entre jovens”.
Os sintomas maníacos, por sua vez, estavam ligados ao uso de psicodélicos, mas isso parecia ser devido à predisposição genética.
“O uso de psicodélicos foi associado a mais sintomas maníacos em indivíduos com maior vulnerabilidade genética à esquizofrenia ou transtorno bipolar I do que em indivíduos com menor vulnerabilidade genética”, escreveram os pesquisadores, “o que fornece evidências provisórias em apoio às diretrizes contemporâneas sobre pesquisa psicodélica”.
Praticamente todas as pesquisas psicodélicas atuais – incluindo os principais ensaios clínicos – excluem pessoas com vulnerabilidade genética a transtornos psicóticos ou bipolares, observaram os autores, embora “há uma falta de consenso sobre os riscos associados ao uso de psicodélicos para essas populações, especialmente entre jovens”.
O relatório descreve um estudo transversal de gêmeos adolescentes na Suécia, utilizando dados de um registro nacional. Os participantes foram questionados sobre o uso anterior de várias drogas aos 15 anos, bem como sobre sintomas de psicose e mania. Análises suplementares analisaram observações relatadas pelos pais e outros dados autorrelatados.
“O uso de psicodélicos foi significativamente associado a taxas mais baixas de sintomas psicóticos quando ajustado para o uso de outras drogas”.
“Ao ajustar o uso de drogas específicas e agregadas de substâncias, o uso de psicodélicos foi associado a menos sintomas psicóticos tanto nas análises de regressão linear quanto nas análises de controle de co-gêmeos”, concluiu o estudo. “Em indivíduos com maior vulnerabilidade genética à esquizofrenia ou transtorno bipolar I, o uso de psicodélicos foi associado a mais sintomas maníacos do que em indivíduos com menor vulnerabilidade genética”.
“Tomados em conjunto”, diz, “os resultados deste estudo sugerem que, após ajuste para o uso de outras drogas, o uso naturalista de psicodélicos pode estar associado a taxas mais baixas de sintomas psicóticos entre jovens. Ao mesmo tempo, a associação entre o uso de psicodélicos e sintomas maníacos parece depender da vulnerabilidade genética à psicopatologia, como a esquizofrenia ou o transtorno bipolar I”.
As associações, alerta o pesquisador, “devem ser interpretadas com cautela”, observando limitações como falta de dados nas respostas da pesquisa, a possibilidade de subnotificação de sintomas em pesquisas autorrelatadas, falta de informações sobre o contexto do uso passado de psicodélicos, possíveis problemas de interpretação questões de pesquisa e vários preconceitos entre os entrevistados.
No entanto, observaram eles, “o uso de estudos de controle de co-gêmeos representa um novo desenho de pesquisa em pesquisas psicodélicas que pode informar ainda mais as associações e pode ser particularmente útil quando não for viável conduzir um estudo experimental”.
“Tomados em conjunto, este estudo tem vantagens como um estudo naturalístico de base populacional que leva em conta a genética, mas os resultados deste estudo devem ser interpretados com cautela até que sejam replicados em estudos futuros”, diz o relatório.
As descobertas vêm na esteira de outro artigo publicado pela Associação Médica Americana recentemente, concluindo que o uso do canabinoide delta-8 THC, amplamente não regulamentado, era maior entre os alunos do último ano do ensino médio em estados dos EUA onde a maconha permanecia ilegal, bem como em estados que não adotou regulamentações sobre canabinoides.
No ano passado, um estudo separado com jovens em risco de desenvolver perturbações psicóticas descobriu que o consumo regular de maconha durante um período de dois anos não desencadeou o início precoce dos sintomas. Na verdade, foi associado a melhorias modestas no funcionamento cognitivo e à redução do uso de outros medicamentos – uma descoberta que os próprios investigadores consideraram surpreendente.
Enquanto isso, um estudo anterior publicado pelo JAMA que analisou dados de mais de 63 milhões de beneficiários de seguros de saúde dos EUA descobriu que “não há aumento estatisticamente significativo” nos diagnósticos relacionados à psicose em estados que legalizaram a maconha em comparação com aqueles que continuam a criminalizar a cannabis.
Referência de texto: Marijuana Moment
por DaBoa Brasil | mar 16, 2024 | Cultivo
As variedades automáticas, ou autoflorescentes, são rápidas, produtivas e muito confiáveis, mas requerem cuidados ligeiramente diferentes dos das plantas fotoperiódicas. No post de hoje você vai descobrir que tipo de solo as mantém saudáveis e permite que produzam a melhor colheita possível.
As variedades automáticas se consolidaram como as mais rápidas e resistentes que você pode encontrar. Graças aos métodos modernos de criação, também estão entre as variedades mais potentes e saborosas. São capazes de produzir boas colheitas em questão de semanas, embora os resultados obtidos pelos cultivadores dependam de quão bem eles cuidam das plantas. No cultivo de plantas autoflorescentes, vários fatores devem ser levados em consideração, sendo a qualidade do solo um dos mais importantes. Então, qual é o melhor substrato para a maconha automática?
A seguir explicamos tudo o que você precisa saber para escolher ou preparar o melhor substrato possível para plantas automáticas. Para começar, veremos se há alguma diferença entre o solo que as variedades fotoperiódicas e as autoflorescentes necessitam. Depois, veremos a possibilidade de utilização de fibra de coco e outros aditivos de solo. E por fim, ensinaremos como fazer a mistura de solo perfeita para plantas automáticas e mantê-la em perfeitas condições durante toda o ciclo. Prepare-se para levar suas colheitas autoflorescentes para o próximo nível!
As automáticas precisam do mesmo solo que as variedades fotoperiódicas?
As plantas de cannabis fotoperiódicas e autoflorescentes tendem a crescer bem em solos semelhantes. No entanto, há vários fatores a ter em conta que fazem com que a maioria dos cultivadores modifique o substrato para plantas automáticas. Em primeiro lugar, plantas auto têm um ciclo de crescimento muito mais curto do que as fotoperiódicas. Isso significa que você terá que começar a cultivar com um substrato nutritivo e balanceado, pois terá menos tempo para corrigir possíveis deficiências nutricionais em comparação ao cultivo de uma planta de fotoperíodo.
Em segundo lugar, as autos herdam as suas propriedades autoflorescentes da cannabis ruderalis, uma subespécie da cannabis que sobrevive em condições adversas e em solos pobres e rochosos. Por isso, as plantas automáticas desenvolvem-se muito melhor em solos com boa drenagem, que evitam o encharcamento e mantêm as raízes bem arejadas.
Por último, as plantas autoflorescentes tendem a ser mais sensíveis aos fertilizantes iónicos sintéticos do que as fotoperiódicas. Portanto, é importante não saturar o substrato com esse tipo de fertilizante. Em vez disso, você pode usar matéria orgânica bem decomposta, microrganismos e fertilizantes ecológicos para manter suas plantas saudáveis e felizes.
O que é melhor para automáticas: fibra de coco ou terra?
Os cultivadores de maconha obtêm ótimos resultados quando adicionam fibra de coco ao substrato para plantas automáticas. Existem duas maneiras diferentes de fazer isso. Por um lado, há quem utilize substrato composto quase exclusivamente por fibra de coco, ao qual adiciona perlita para aumentar a aeração. Embora ofereça melhor drenagem, a fibra de coco quase não contém nutrientes, por isso os cultivadores têm que aplicar sais sintéticos. E como as plantas auto são sensíveis a altos níveis dessas substâncias, deve-se ter muito cuidado para evitar a fertilização excessiva. Além disso, ao utilizar um substrato composto principalmente de fibra de coco, as plantas ficam expostas a menos microrganismos benéficos que podem ajudar a aumentar o rendimento e o vigor das plantas.
Por outro lado, alguns cultivadores optam por usar a fibra de coco como aditivo e misturá-la ao solo. Nesse caso, adicionar 20-30% de fibra de coco pode melhorar a drenagem e aeração do solo. Além disso, ao utilizar o solo como base de substrato, os cultivadores não precisam depender de sais iônicos e podem inocular o solo com microrganismos benéficos.
Aditivos de solo para promover o crescimento das plantas
A fibra de coco não é o único aditivo que você pode adicionar ao solo para criar um substrato fértil e bem drenado para as automáticas. Aqui estão outras opções populares e eficazes:
Compostagem: o composto maduro contém uma grande quantidade de macronutrientes e micronutrientes para as plantas. Como fonte de matéria orgânica, faz maravilhas ao reter os nutrientes no solo e evitar que se percam por lixiviação. O composto também atua como bioinoculante e contribui com muitos microrganismos benéficos para o solo.
Esterco: este aditivo contém muito nitrogênio, que as plantas precisam para desenvolver galhos e folhagens, mas tente usá-lo com moderação. O esterco fresco (ainda não decomposto) pode causar queima de nutrientes nas plantas, portanto, use apenas estrume maduro e bem decomposto na mistura do solo.
Húmus de minhoca: nada mais é que esterco de minhocas, contém muitos nutrientes importantes para as plantas. O húmus de minhoca também é carregado de microrganismos benéficos e ajudam a aumentar a aeração e o teor de umidade do solo.
Qual é a melhor receita de super solo para automáticas?
O super solo difere de outros substratos porque contém tudo o que as plantas precisam para crescer, desde a semente até a colheita. Não é necessário adicionar nada ao longo do cultivo, exceto água. Se você deseja utilizar este tipo de substrato para o cultivo de plantas automáticas, é recomendado o uso principalmente de fertilizantes orgânicos para evitar que as plantas sofram queimaduras de nutrientes. A seguinte receita de super solo é suficiente para um vaso de 24 litros; se for usar um vaso maior, basta multiplicar a receita.
Receita de super solo para automáticas:
– 4kg de solo orgânico: será a base do super solo. O composto contém muitos macronutrientes e microrganismos benéficos e melhora a aeração e a capacidade de retenção de umidade do solo.
– 500g de perlita: este ingrediente melhora a estrutura do solo e promove o desenvolvimento das raízes. Desempenha um papel importante na mistura de solo para automáticas.
– 1kg de húmus de minhoca: húmus de minhoca são repletos de nutrientes e microrganismos benéficos. Além disso, melhora a estrutura do solo e possui carga elétrica líquida negativa, o que ajuda a aumentar a capacidade de retenção de nutrientes do solo.
– 200g de farinha de ossos: fornece fósforo, cálcio e nitrogênio para estimular o desenvolvimento de flores, folhas e raízes.
– 200g de farinha de sangue: contém altos níveis de nitrogênio, que são benéficos na fase vegetativa.
– 150g de guano de morcego: contém altos teores de fósforo e potássio, promovendo a floração.
– 100g de fosfato de rocha: fonte de oligoelementos, que ajudam a cumprir muitas funções fisiológicas.
– 40g de sais de Epsom: boa fonte de magnésio e enxofre, dois elementos essenciais ao longo do ciclo vegetativo.
– 50g de dolomita: fornece cálcio e magnésio à mistura e ajuda a manter o pH equilibrado.
– 50g de azomita: ótima fonte de oligoelementos, que promovem um crescimento ideal.
– 10g de ácido húmico: um composto natural que ajuda a aumentar a disponibilidade de nutrientes.
Quais são as melhores condições para plantas autoflorescentes?
Agora você sabe qual é o melhor solo para a maconha automática. Você pode preparar uma mistura básica de solo que drene bem e à qual terá que adicionar fertilizante, ou pode fazer um super solo que mantenha sua planta desde a semente até a colheita, sem ter que fazer muito mais. Mas seu trabalho não termina aqui. Para manter as suas autoflorescentes o mais saudáveis possível durante o cultivo, tenha em mente os seguintes fatores.
Controle a fertilização
As plantas autoflorescentes não gostam de fertilizantes sintéticos em altas concentrações. Se for usar esse tipo de fertilizante, escolha produtos específicos para automáticas. Ou simplesmente use fertilizantes ecológicos, como composto de algas marinhas ou emulsão de peixe, que têm menos probabilidade de queimar as raízes, pois primeiro devem se decompor no solo.
Controle o pH do solo
Assim como as plantas fotoperiódicas, as automáticas preferem um pH ligeiramente ácido de 6,0. Ao regar, meça o pH da água de escoamento (a água que sai do fundo do vaso quando você rega) usando um medidor de pH. Para manter o pH do substrato dentro da faixa ideal, use produtos para aumentar ou diminuir o pH.
Adicione microrganismos benéficos
Os microrganismos benéficos desempenham um papel importante em uma mistura de solo para automáticas. O ideal é adicioná-los ao solo logo no início, antes do plantio. Mas você também pode aplicá-los em todo o ciclo. Os seguintes microrganismos contribuem para a ciclagem de nutrientes, decompõem a matéria orgânica e ajudam a proteger as plantas contra patógenos:
– Fungos micorrízicos
– Rizobactérias
– Tricoderma
– Bactérias do ácido láctico
Regue adequadamente
Regra geral, regue as plantas apenas quando a superfície do solo (os primeiros 3cm) estiver completamente seca, pois o excesso de água pode sufocar as raízes e causar o seu apodrecimento. Adotar esse método é uma maneira fácil de atender às demandas de água de plantas automáticas.
Dê às suas plantas auto o melhor substrato possível
Aí está. Agora você já sabe preparar o melhor solo para suas plantas auto e também aprendeu muito sobre essas variedades. Você sabe que elas se dão bem em solos ligeiramente diferentes das variedades fotoperiódicas e que apreciam muito a drenagem adicional. Você também sabe fazer uma boa mistura de solo, que vai lhe poupar trabalho durante todo o cultivo. Além disso, você aprendeu algumas dicas sobre fertilização, inoculação e rega para manter suas plantas saudáveis.
Bom cultivo!
Leia também:
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– Como cultivar plantas automáticas no outdoor
– 4 conselhos básicos para cultivar automáticas
– O melhor solo para a maconha | um guia para o cultivador caseiro
Referência de texto: Royal Queen
por DaBoa Brasil | mar 15, 2024 | Ciências e tecnologia, Saúde
O projeto é realizado pela Universidade Nacional de Rosário e pelo Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (CONICET). O objetivo é estudar polifenóis e flavonoides.
Nos últimos anos, foram publicados dezenas de estudos científicos que demonstram o potencial dos canabinoides no tratamento de diferentes doenças. Existem também milhares de opções para criar produtos industriais a partir de fibras de cannabis. Mas até agora, pouco se sabe se as folhas da planta podem ter algum uso terapêutico ou comestível. É o que descobre um projeto de pesquisa argentino formado pelo CONICET e pela Universidade Nacional de Rosário (UNR).
“Neste caso queremos investigar sobre o que mais pode contribuir a planta de cannabis inteira em momentos onde a indústria majoritariamente foca na flor e nos canabinoides mais conhecidos”, disse Federico Rúa, doutor em química e pesquisador do CONICET, a principal instituição científica da Argentina. Em conversa que teve com o portal de comunicação local El Ciudadano, explica que nas folhas de maconha “também existem polifenóis, como a canflavina A e B e outros flavonoides”, que poderiam servir como antioxidantes e anti-inflamatórios.
O grupo de cientistas também trabalha em conjunto com a Associação Civil de Pesquisa e Desenvolvimento da Cannabis (APIDC). A ideia do projeto é que a indústria alimentícia possa utilizar produtos derivados das folhas de maconha tanto para evitar manchas em frutas e vegetais quanto para combater pragas. Mas também pode ser utilizado na área da cosmética no tratamento de marcas na pele.
“Tentaremos verificar a atividade em termos de inibição enzimática de diferentes extratos em diferentes alvos, depois identificar/isolar os compostos ativos e focar no que pode ser feito com eles, em vez de seguir os canabinoides que já estão bem estudados”, diz Rúa.
Referência de texto: Cáñamo
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