por DaBoa Brasil | maio 16, 2017 | Arte, Ativismo, Entretenimento
Quem escreve este texto é um dos muitos transgressores da lei. Um criminoso pacifista, que tem como máscara os olhos vermelhos e os lábios secos. Digo criminoso porque detenho a arma que mais incomoda governantes e policiais: o conhecimento ilegal.
Diante de um estado repressor, a detenção de um usuário de maconha se mostra benéfica quando colocada nas estatísticas. Quanto mais usuários forem detidos, maior será a popularidade política entre seus apoiadores. Na mídia, matérias sobre apreensão de drogas e prisão de traficantes, além de reforçar o sistema repressor em vigor em nosso país, causam o mesmo efeito orgástico de vídeos pornográficos nos grupos reacionários da classe média brasileira.
Aqueles que conhecem os efeitos da maconha sabem o quão inofensivo o mero usuário é. Porém, o que coloca a sociedade em verdadeiro perigo é o conhecimento de um maconheiro. Enquanto a população continua sedada e sendo alimentada com imagens de guerra, os maconheiros se entorpecem com a flor da planta canábis e abrem a cabeça para um novo modelo de sociedade.
Quem fuma maconha todos os dias sabe como a proibição de uma planta é ridícula, e tentar exterminar da face da terra algo que nasce naturalmente soa ainda mais patético. Se as sociedades consomem maconha, para vários fins, desde muito antes do nascimento de Cristo, o que leva as pessoas a acharem que um tratado feito entre países em 1961 vai de fato acabar com tal hábito? Se o mundo funcionasse pelas lógicas escritas do sistema imposto, viveríamos em um lugar muito mais pacífico, mas não é isso que vemos.
O homem sempre achou que poderia ter controle sobre todas as coisas ao redor, até sobre seus próprios comportamentos. Quando há em jogo interesses financeiros, tal controle fica ainda mais forte. Aliado ao domínio religioso e à falta de conhecimento da população, torna-se uma tarefa fácil manter o status quo por décadas.
Fumar maconha é muito mais do que simplesmente ficar chapado, é um ato de resistência.
Mesmo com tantas mortes, prisões e ameaças, ter convicção de que este sistema está falido e cada vez mais mortal é ser um mártir, e por isso se expressar, seja por música, literatura ou até mesmo plantando maconha, é uma forma de tentar mudar o mundo sem violência e fazendo uso apenas do conhecimento.
Como já disse o pensador Gabriel, “a paz é contra a lei e a lei é contra a paz”. No Brasil, as coisas só mudam por meio do radicalismo. É preciso milhares de mulheres serem mortas buscando aborto clandestino para então o Supremo Tribunal Federal- mesmo contra a vontade do Congresso- reconhecer que o aborto é um direito legítimo de toda pessoa do sexo feminino.
Mesmo com a Anvisa reconhecendo recentemente a maconha como planta medicinal, o caminho para o fim da guerra é longo, e muitas armas serão apontadas para aqueles que não querem mais se submeter às políticas governamentais. Até que a maconha seja totalmente legalizada, é preciso que todos os usuários continuem na militância e buscando conhecimento. Seja marginal, seja herói, seja maconheiro.
Por Francisco Mateus
por DaBoa Brasil | maio 7, 2017 | Ativismo, Eventos
A garota entra em delírio porque a cachorra está com um baseado gigante na boca. Não demora muito para então o animal virar atração das pessoas que se aglomeram em plena Rua XV de Novembro para a 11ª Marcha da Maconha de Curitiba. De longe os policiais apenas observam a crescente movimentação de maconheiros que vai aos poucos tomando conta do calçadão. “Tá legalizado? Não tá! Mas pra hoje vamos ter que ficar só controlando a movimentação” diz o policial.
O cheiro de maconha vai se alastrando pelo centro. Por todo lugar, gente dichavando, bolando, fumando e passando um baseado. Bondade dos cosmos por ter dado sol a aquele sábado de outono; beck molhado por conta de chuva deixa qualquer maconheiro desanimado.
O bloco BatuCannabis começa a ajeitar os instrumentos e logo dá as primeiras batidas no surdo. Mais à frente, os militantes se posicionam com faixas e cartazes. “Vamos legalizar galera!” grita um dos organizadores do evento. Vai chegando perto da hora do início da marcha. Jornalistas e fotógrafos registram com fotos e vídeos os maconheiros se organizando. Eis que “Beeeeeeeh”, a buzina do megafone do organizador avisa às milhares pessoas ali presentes que é hora de marcha. “Deu quatro e vinte!”.
Juntar milhares de maconheiros pode ser complicado. É cada um com seu baseado, uns com prensado fraco, outros com murruga forte. Alguns mais chapados, outros menos. A sequela atinge os manifestantes assim que a marcha sai da Boca Maldita. A caminhada segue um tanto quanto desarmoniosa, por conta do passo lento de alguns, mas logo toma ritmo, e o povo de Curitiba vira plateia do movimento canábico. “Se você pensa que maconha mata/ Maconha não mata não/ Maconha vem da natureza/ Quem mata é a proibição.”
É claro que a Marcha recebe muita cara feia à medida que passa pelas ruas apertadas do centro de Curitiba. A fumaça, que pode ser vista de longe como uma grande nuvem, chega até os prédios e entra nos apartamentos. No alto, os velhos fecham as janelas e fazem um gesto de mal cheiro para os maconheiros na rua.
A Marcha da Maconha é apenas a marofa de um baseado, que pode ser sentida e causar um leve efeito nas pessoas ao redor, mas sem dar todo o barato de um trago. Com cada vez mais usuários saindo do armário e se engajando por uma mudança da lei de drogas, mais forte vem se tornando a pressão em cima do governo. Não dá para ficar fumando maconha no sofá da sala enquanto assiste Cheech Chong e come pizza. Tem que fazer a cabeça na rua e gritar “Ei Polícia, Maconha é uma delícia!”.
Assim que a noite cai, a marcha chega ao seu ponto final, na frente do Palácio do Iguaçu, sede do governo do estado. A luz das motos dos policiais que protegem o palácio evidencia a fumaça que cerca o aglomerado de pessoas. O pessoal da BatuCannabis continua fazendo barulho, enquanto alguns manifestantes se revezam para lançar discursos de ordem. “Se manifestar à favor da legalização da maconha é se manifestar pela liberdade de você fazer o que quiser com seu corpo. O corpo é seu! Ninguém tem o direito de dizer se você pode ou não usar maconha!”.
A paz está presente na cabeça de quem quer fazer o bem e fumar maconha. A Marcha da Maconha põe em cheque um estereótipo que precisa ser quebrado, e prova como um grupo visto como marginal pela sociedade pode ter uma conduta pacífica mesmo sob o efeito de uma substância psicoativa. Não dá mais para viver com ideias antiquadas. O sinal está verde, e a gente precisa seguir em frente.
Por Francisco Mateus
por DaBoa Brasil | maio 5, 2017 | Ativismo, Eventos
Várias cidades do país irão marchar pela liberdade! São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Natal, Florianópolis, Brasília e Porto Alegre são algumas das muitas cidades que estão representando o cenário canábico brasileiro.
Usuários, cultivadores e simpatizantes da erva estão convocados a mostrar a toda à sociedade que o maconheiro não é o que muitos tentam estereotipar. São médicos, advogados, professores, jornalistas, engenheiros, padeiros, mecânicos, artistas, atletas, pessoas comuns e gente de bem! Todos juntos marchando pelo mesmo objetivo. A liberdade!
Liberdade de escolher qual a medicina mais adequada para o seu tratamento, que muitas vezes não funcionam com tratamentos convencionais. Liberdade para não ser mais perseguido apenas por fazer uso religioso de uma planta usada há milênios por diversas culturas. Liberdade de fazer uso recreacional de uma erva que é 144 vezes menos nociva do que o álcool. Liberdade de cultivar a cura que nasce no quintal e não precisar pagar caro por um fumo de procedência duvidosa sem nenhum controle de qualidade.
Todos que cultivam a consciência, que sabem dos benefícios da maconha, assim como conhecem os malefícios da proibição. Todos vocês são indispensáveis nessa luta! Vamos juntos fazer nossa parte por um futuro mais digno! Vamos à marcha Brasil!
por DaBoa Brasil | maio 2, 2017 | Ativismo, Eventos
Curitiba não tem praia, mas a maresia vai tomar conta da capital paranaense neste sábado (6) com a 11ª edição da Marcha da Maconha. O evento, que tem sua concentração marcada para às 15h na boca maldita, e que acontece também em outras cidades do Brasil e do mundo, tem como objetivo pressionar o governo para que haja uma mudança na legislação brasileira de drogas.
É preciso chapar a sociedade com a fumaça da razão para livrá-la das garras da ignorância e do preconceito. Maconheiro quer fumar camarão verde, tirado do ventre da natureza e sem adulteração em sua composição. Mas na terra tupiniquim, comprar maconha prensada com barata é mais fácil do que comprar um hot dog com batata palha prensado na chapa. A vergonha de se consumir uma erva de péssima qualidade se mistura com a tristeza de ser refém do tráfico.
“Doutor, a maconha não faz mal!” Se diz ao médico que duvida dos benefícios da erva. “Quem mata é o tráfico, doutor. Confesso que a garganta sofre com o prensado diário, mas essa é infelizmente a maconha nossa de cada dia”. Na rua, o guarda te aborda e fala “ei cabeludo, que cheiro é esse? Encosta na parede e cala a boca”. No turbilhão de pensamentos, a mente quer dizer “seu policial, no meu beck, nem sei quanto tem de maconha. A parada é 3 pá 1, mas não sei o que tem nele”. O policial solta o maconheiro, prender garoto branco é perder tempo.
Mas aí, no 3 pá 1, aparece uma semente como um presente divino. Vai pro Distrito 420 e começa a ler sobre como cultivar a própria ganja. É acomodar a semente no papel toalha úmido e só esperar a mamãe natureza agir sobre ela. Em alguns dias, já dá pra ver saindo da casca aquilo que futuramente se tornará a sedutora Maria Joana. Paciência, e cuidado, contando no calendário os dias do período vegetativo e do período de floração. A planta vai crescendo, ficando bonita, e com início de buds.
“Briiiiii” é som da campainha. Ao abrir a porta, o policial logo vai gritando “pro chão maconheiro filho da puta”. Fodeu geral, e não tem pra onde correr. “A vizinha falou que tem vinil do Peter Tosh girando e planta proibida crescendo. Vai pra delega, e a planta vai junto”. Tratamento de bandido para quem só queria ficar chapado sem prejudicar ninguém, ser brasileiro é bacana contanto que siga as regras da caretice social.
Chegando na delegacia, um moleque de bermuda suja e havaiana nos pés está sentado esperando para ser escoltado para a cela. Foi detido como trafica por uma ponta de uma baseado ruim. “Cê levou sorte garoto, vai ser enquadrado como usuário mesmo. A planta foi achada ao lado de um pacote de seda e um dichavador. Mas vai ficar fichado aqui”. Cor da pele e endereço residencial vale mais que R.G.
Perdeu a planta, e perdeu a pira. Vai ter que voltar a comprar prensado do tráfico. O 3 pá 1 não vai sair da rua enquanto maconheiro não pedir por mudanças na lei. Melhor do que fumar um beck sozinho, é fumar um baseado king size ao lado de maconheiros que tem o mesmo objetivo que você: o fim do preconceito, o fim da guerra, e uma maconha boa pra queimar.
Por Francisco Mateus
por DaBoa Brasil | abr 25, 2017 | Arte, Ativismo, Entretenimento, Música
O que seria da cultura pop se Bob Dylan não tivesse passado um baseado aos Beatles durante a passagem da banda por Nova York em 1964? Provavelmente seria menos colorida, e muito menos revolucionária. Foi por causa da maconha que a carreira dos Beatles tomou outro rumo, com mais experimentações sonoras e reflexões filosóficas, evidentes nos discos Rubber Soul, Revolver e Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band.
Ninguém se torna gênio após fumar um baseado, mas o que a maconha faz, naqueles que já tem predisposição à criatividade, é tornar as ideias muito mais fáceis de serem executadas e aprimoradas. Não é exagero quando falam que com a maconha a inspiração vem como um “presente divino”, pois de fato a erva de Jah eleva a consciência humana a outro patamar.
O desenvolvimento tecnológico teve também influência da maconha e outras drogas. Steve Jobs, por exemplo, fumava maconha e tomava LSD diariamente durante sua vida de universitário, o que acabou sendo impactante na criação do computador moderno como conhecemos, com uma interface colorida e interativa, como uma trip psicodélica.
É uma imensa hipocrisia em uma mão criminalizar a erva e seus usuários, e na outra venerar pessoas que de algum jeito revolucionaram o mundo por fumarem maconha. O pior é propagar, principalmente por meio de programas educativos, que o uso da erva torna te torna um “sequelado sem futuro e com baixa quantidade de esperma no saco”, se esquecendo que nosso antigo Ministro da Cultura, Gilberto Gil, e a fábrica ambulante de fazer filhos, Mick Jagger, são usuários de maconha.
Criminalizar a maconha, é criminalizar a liberdade de pensamento e criação, e um mundo melhor só poderá ser feito quando não houver barreiras no ato de se fazer arte. Maconha não é a porta de entrada para outras drogas, mas sim, a chave para abrir as portas da percepção. Mas diante da crítica situação da arte e da regulamentação da maconha no Brasil, pelo visto muita gente em Brasília prefere cobrir os olhos com suas orelhas de burro.
Por Francisco Mateus
por DaBoa Brasil | abr 20, 2017 | Ativismo
De uns tempos para cá, os grandes jornais do Brasil, como O Globo e a Folha de S. Paulo, começaram a se manifestar à favor da descriminalização da maconha, mostrando suas posições em editoriais e em matérias focando na desconstrução do tema. Com cada vez mais países debatendo e até mesmo regulamentando a maconha e derivados, não tem como o Brasil ficar de fora dessa onda de avanços.
Por conta da força conservadora que rege o Brasil, ainda é um tabu debater sobre “assuntos polêmicos”. Com a criminalização da maconha, não só fazer uso da erva é proibido como também é um delito a disseminação de informações sobre ela. Falar sobre os benefícios da erva pode ser entendido como apologia às drogas.
Do mesmo jeito que um jornal tem força para reforçar o estereótipo das drogas, com matérias que abordam a guerra diária contra o tráfico, também tem de enfraquecer o estigma popular com relação ao uso da maconha por usuários. Com sua influência e poder de alcance, a imprensa tradicional precisa ser uma aliada na luta pela descriminalização não só da maconha, mas de todas as drogas, mostrando quais são os reais impactos da criminalização na sociedade.
O caminho para começar a tratar de forma mais aprofundada a regulamentação da maconha é através de seu uso medicinal, que vem trazendo cada vez mais resultados comprovando seus benefícios no tratamento de diversas doenças. Mas incluir o usuário recreativo no debate é de imensa importância, por ser ele um dos grandes prejudicados com a criminalização.
O usuário de maconha precisa ter voz, mas nos veículos de comunicação tradicionais o tratamento dado aos consumidores da erva ainda é delicado, já que é preciso proteger a identidade da fonte para que não ocorra nenhum tipo repressão. Fumar maconha é visto com preconceito pela imensa maioria da sociedade, o que acaba obrigando o usuário a permanecer “dentro do armário”.
Com o fortalecimento do ambiente digital, vários blogs, sites e canais especializados em conteúdos canábicos deixaram de ser apenas uma ferramenta de militância e, de forma independente, passaram a ser de fato veículos de comunicação que conseguem tratar sem filtros a realidade dos usuários e da maconha no Brasil.
É quase o dilema punk: “Faça você mesmo”. A informação precisa chegar ao maior número de pessoas possível. É com conhecimento e argumentos que se faz possível questionar e cobrar de nossos governantes uma mudança na lei.
Por Francisco Mateus
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