Um novo estudo feito na Nova Zelândia sobre o impacto do consumo de maconha no uso de outras drogas sugere que, para muitos, a planta pode atuar como um substituto menos perigoso, permitindo que as pessoas reduzam a ingestão de substâncias como álcool, metanfetamina e opioides como a morfina.
A pesquisa, com 23.500 pessoas, perguntou aos participantes se o uso de cannabis tinha alguma influência no consumo de outras substâncias. Na maior parte, descobriu-se que o uso de maconha estava associado à redução da frequência e quantidade de uso de outras substâncias específicas.
“Proporções significativas relataram uso de cannabis que levaram a ‘menos’ uso de álcool (60%), canabinoide sintético (60%), morfina (44%) e metanfetamina (40%)”, diz o novo relatório. “Aqueles que relataram usar ‘menos’ tiveram menor frequência e quantidade usada de outras drogas”.
Dito isso, os resultados variaram por substância, bem como por dados demográficos. Quase 70% das pessoas disseram que a maconha não teve “nenhum impacto” no uso de LSD, MDMA ou cocaína, por exemplo. Um terço dos co-usuários de cannabis e tabaco relataram usar menos tabaco, enquanto uma minoria ainda menor de entrevistados — 1 em cada 5 — relatou que o uso de maconha na verdade levou a mais uso de tabaco.
Substituir outras drogas por maconha também parece mais popular entre jovens adultos, de 21 a 35 anos, que eram mais propensos do que outros grupos a relatar que a cannabis reduziu seu consumo de álcool e metanfetamina. Estudantes e pessoas que vivem em cidades, por sua vez, eram menos propensos a dizer que a maconha reduziu seu uso de outras drogas.
O uso de maconha por adolescentes (16 a 20 anos), por sua vez, teve resultados mistos, com essa coorte sendo “mais propensa a relatar o uso de cannabis resultando em ‘mais’ e ‘menos’ uso de outras substâncias em comparação a não ter ‘nenhum impacto’”, descobriu o estudo. Adultos mais jovens (21 a 25 anos), por outro lado, “eram mais propensos a dizer que o uso de cannabis resultou em menor uso de álcool, metanfetamina e MDMA”.
“Proporções significativas de pessoas que usam maconha em nossa pesquisa relataram que o uso de cannabis levou a níveis mais baixos de uso de álcool e metanfetamina”.
Os resultados contribuem para o que ainda é um quadro misto em termos de se — e em que extensão — as pessoas estão usando maconha como um substituto para outras drogas, observaram os autores. Por exemplo, eles observam, um estudo de estudantes universitários dos EUA “descobriu que após a legalização da maconha houve uma redução no consumo excessivo de álcool entre estudantes com 21 anos ou mais, mas não entre estudantes mais jovens”, enquanto ao mesmo tempo “outros estudos de estudantes universitários dos EUA não encontraram impacto no uso de outras drogas”.
Resultados conflitantes semelhantes foram vistos em jurisdições que legalizaram a maconha, aponta o estudo. Por exemplo, ele diz, “as compras mensais de álcool (especificamente vinho) diminuíram no Colorado e no estado de Washington após a legalização da cannabis para uso adulto, enquanto as compras de bebidas alcoólicas aumentaram no estado de Washington, mas diminuíram no Oregon após a legalização da cannabis”.
Outro estudo “descobriu que as vendas mensais de cerveja em todo o Canadá caíram após a legalização da maconha, mas não houve mudança nas vendas de destilados”, acrescenta o relatório. “Em contraste, outros estudos de estados de legalização dos EUA descobriram que a legalização da cannabis não resultou em nenhuma mudança na compra e uso de álcool”.
Tentando explicar a associação, os autores observam que, quando se trata de beber, “a substituição do álcool pela cannabis legal pode refletir os efeitos neurológicos semelhantes de cada substância, a aceitabilidade social semelhante entre os jovens e o preço comparável”, acrescentando que alguns estudos com estudantes universitários “descobriram que alguns estavam motivados a usar maconha como um meio de reduzir o consumo de álcool e os resultados negativos relacionados”.
Quanto às diferenças relacionadas à idade, a equipe de pesquisa de quatro pessoas da Faculdade de Saúde da Universidade Massey, em Auckland, descreveu um quadro complicado envolvendo cultura e fisiologia:
“Nossas descobertas mistas podem refletir diferentes estágios de vida e trajetórias de desenvolvimento. A coorte de jovens (16–20 anos) é um período de transição da adolescência para a idade adulta jovem e está associada à tomada de riscos e busca por novidades, e foi identificada como um período de alto risco de desenvolver co-uso de substâncias. A próxima coorte mais velha (21–35 anos) tem maior desenvolvimento neurológico e frequentemente acumulou experiência no mundo real de uso de álcool e outras drogas, incluindo consequências negativas relacionadas ao uso de múltiplas drogas e, portanto, pode ser mais propensa a considerar o comportamento de redução de danos, como favorecer substâncias com menos efeitos colaterais e consequências menos prejudiciais”.
Eles também apontaram para outra revisão recente da literatura sugerindo que as interações entre maconha e álcool podem ser dependentes da idade, “sugerindo que a idade avançada pode moderar o nível de substituição e comportamento de complementaridade”.
“Nossas descobertas têm uma série de implicações para a redução de danos”, diz o novo artigo. “Primeiramente, maior acesso à maconha pode fornecer oportunidades para adultos jovens mais velhos (20 anos ou mais) reduzirem o consumo excessivo de álcool dentro de uma faixa etária com alta prevalência de consumo arriscado de álcool. A cannabis pode fornecer uma opção de menor risco do que o uso pesado de álcool entre adultos jovens que estão em uma fase particularmente hedonista de suas vidas”.
“Em segundo lugar”, disseram os autores, “o maior acesso à maconha pode desempenhar um papel na redução do uso de metanfetamina para alguns indivíduos, seja como um meio de reduzir a frequência do consumo de metanfetamina, ou como um complemento para dar suporte ao tratamento de problemas relacionados à metanfetamina. Vários estudos de redução de danos indicaram o potencial medicinal da cannabis para dar suporte à redução no uso de outras drogas com maior risco de efeitos colaterais, incluindo estimulantes e analgésicos opioides prescritos”.
Programas de redução de danos que esperam tirar proveito das descobertas, diz o estudo, “poderiam incluir programas administrados por pares e pela comunidade, oferecendo cannabis gratuita ou de baixo custo para pessoas desfavorecidas que enfrentam problemas de uso de substâncias”.
Entre a população indígena Māori da Nova Zelândia, os entrevistados eram mais propensos a relatar que o uso de maconha reduzia a ingestão de álcool, tabaco, metanfetamina e LSD.
“É importante observar que, embora os jovens adultos, homens e maoris em nosso estudo tenham sido mais propensos a relatar que a cannabis leva a ‘menos’ uso de álcool, todos esses grupos têm taxas de base mais altas de consumo perigoso de álcool na Nova Zelândia”, diz o relatório.
Em relação aos esforços no país para priorizar os candidatos Māori para licenças de negócios de varejo de maconha, ele acrescenta: “Pode-se argumentar, com base em nossos resultados, que essas disposições não apenas dariam aos Māori a oportunidade de entrar na indústria legal de cannabis, mas também forneceriam acesso aprimorado à cannabis legal para reduzir o consumo de álcool e outras drogas”.
A conscientização geral sobre o efeito de substituição está crescendo não apenas entre pesquisadores, mas também entre observadores de mercado. Um relatório da Bloomberg Intelligence no início deste ano disse que a expansão do movimento de legalização da maconha continuará a representar uma “ameaça significativa” para a indústria do álcool, à medida que mais pessoas usam cannabis como um substituto para o álcool.
O relatório estimou que a influência combinada do acesso à maconha e das mudanças na demanda do consumidor por certos tipos de produtos alcoólicos é responsável por um desconto de 16% na avaliação das ações oferecido pela empresa de bebidas Constellation Brands, dona de grandes marcas como Corona, Modelo, Pacifico e Casa Nobel Tequila.
Outro estudo realizado no Canadá, onde a maconha é legalizada pelo governo federal, descobriu que a legalização estava “associada a um declínio nas vendas de cerveja”, sugerindo um efeito de substituição.
As análises são compatíveis com outros dados de pesquisas recentes que analisaram mais amplamente as visões estadunidenses sobre maconha versus álcool. Por exemplo, uma pesquisa da Gallup descobriu que os entrevistados veem a maconha como menos prejudicial do que álcool, tabaco e vapes de nicotina — e mais adultos agora fumam maconha do que cigarros.
Uma pesquisa separada divulgada pela Associação Psiquiátrica Americana (APA) e pela Morning Consult em junho passado também descobriu que os estadunidenses consideram a maconha significativamente menos perigosa do que cigarros, álcool e opioides — e eles dizem que a erva é menos viciante do que cada uma dessas substâncias, assim como a tecnologia.
Além disso, uma pesquisa divulgada em julho descobriu que mais estadunidenses fumam maconha diariamente do que bebem álcool todos os dias — e que os consumidores de álcool são mais propensos a dizer que se beneficiariam de limitar seu uso do que os consumidores de cannabis.
Da mesma forma, um estudo separado publicado em maio na revista Addiction descobriu que há mais adultos nos EUA que usam maconha diariamente do que aqueles que bebem álcool todos os dias.
Além do álcool, um estudo recente também descobriu que a maconha tem um “grande potencial” para tratar o transtorno do uso de opioides.
“Após uma revisão da literatura, é razoável concluir que a cannabis tem alguma eficácia no cenário de manutenção com opiáceos, bem como outros usos terapêuticos”, disse o artigo. À luz das preocupações públicas sobre overdoses de opioides nos EUA e a possibilidade de a maconha ser reagendada, ele acrescentou, “há uma possibilidade distinta de que o uso de cannabis em modelos de redução de danos aumente”.
Se você está interessado em criar sua própria variedade de maconha, mas fica confuso com o jargão científico, o post de hoje é para você. Você vai aprender tudo o que você precisa saber sobre o autocultivo de maconha e como preservar aquela genética especial que você só pode reproduzir por meio de clones.
POR QUE ENTRAR NO MUNDO DA CRIAÇÃO E DA GENÉTICA DA MACONHA?
Criar uma variedade e preservar a linhagem através de sementes não é território exclusivo de especialistas. Os cultivadores domésticos que acumularam grande conhecimento e habilidades de cultivo, dominando técnicas essenciais, podem fazer facilmente a transição de cultivador para criador (breeder). A criação de novas variedades é totalmente viável. A maioria das variedades de cannabis que hoje consideramos clássicas foram criadas por cultivadores domésticos. Às vezes até por acidente.
Embora possa parecer impossível construir seu próprio banco de sementes no armário de cultivo do seu quarto, a criação em pequena escala é uma opção viável. Simplesmente uma boa experiência de cultivo será suficiente.
O tempo gasto em seu local de cultivo já lhe dará uma visão aguçada para detectar fenótipos interessantes.
COMO PRESERVAR UMA GENÉTICA PRECIOSA DA MACONHA
CLONES
Tirar clones de plantas de maconha é uma ótima maneira de preservar uma variedade. Por vezes, em lugares legalizados, as variedades mais valorizadas só estão disponíveis em formato de corte, e o cultivador não tem outra escolha senão continuar a plantar mudas para preservar os seus genes.
A clonagem é uma habilidade que você pode aprender facilmente e é fundamental para os criadores. Para iniciar a criação você deve ter obtido previamente resultados positivos em seus cultivos.
AUTOFECUNDAÇÃO
As sementes F1 só podem ser obtidas de uma planta feminina de maconha. Essas sementes contêm apenas a informação genética da mãe. Para conseguir isso, o cultivador deve inverter o sexo da planta feminina para produzir flores masculinas e induzir a autopolinização.
A maioria dos cultivadores domésticos terá que estressar propositalmente a planta para produzir flores masculinas e dar sementes. A autofecundação é geralmente aplicada a variedades de maconha obtidas exclusivamente a partir de estacas, para convertê-las em sementes F1. Além disso, todas as sementes resultantes serão feminizadas.
OPÇÕES DE CRIAÇÃO EM PEQUENA ESCALA
CRIAÇÃO NO MESMO CULTIVO
Bem, digamos que você esteja satisfeito com uma quantidade de sementes regulares de maconha. Você pode estar interessado em usar os machos, então considere cruzar plantas do mesmo cultivo. Contanto que você conheça bem a variedade e esteja cultivando a partir da mesma linhagem, você pode selecionar um macho e uma fêmea para reprodução.
Este é um método da velha escola aplicado principalmente no cultivo ao ar livre (outdoor). Porém, cruzamentos do mesmo cultivo também podem ser feitos em ambientes internos, o que permite maior controle sobre a polinização. Se tudo correr bem, a prole resultante será mais ou menos estável e você não precisará comprar sementes no próximo cultivo.
Antes de continuar com seus experimentos, seria interessante praticar primeiro a coleta de pólen e a obtenção de sementes. A reprodução a partir de um cultivo estável é uma boa introdução à criação de variedades.
CRUZAMENTOS POLI-HÍBRIDOS
Um poli-híbrido é simplesmente uma variedade resultante do cruzamento entre duas variedades diferentes. Quando diferentes genéticas de raças locais são cruzadas, um híbrido é obtido (que é um termo usado para se referir à prole derivada do cruzamento de duas fontes diferentes).
Porém, se um híbrido for cruzado com outra variedade de linha genética diferente, será produzido um poli-híbrido. Os híbridos já possuem características genéticas diferentes herdadas de ambas as variedades parentais, o que significa que os poli-híbridos possuem características ainda mais variadas e imprevisíveis. A criação de poli-híbridos é um excelente método de melhoramento porque permite combinar as características únicas de uma grande variedade de plantas. Embora, como você pode imaginar, essas variedades sejam bastante instáveis e heterozigotas. Estabilizar essas variedades e garantir que suas mudas fiquem mais uniformes é uma tarefa muito trabalhosa.
COMO CRIAR POLI-HÍBRIDOS EM CASA
Para isso é necessário muito espaço e um número considerável de plantas. São necessárias uma área de viveiro e uma área de propagação, além de áreas diferentes para espécimes masculinos e femininos, para evitar a ocorrência de polinização cruzada. Se você deseja criar poli-híbridos por várias gerações a partir de quatro variedades diferentes, precisará de ainda mais espaço. Se quiser realizar esse processo, você terá que aprender a polinizar suas flores corretamente.
Como você está pensando em criar, provavelmente já conhece a seguinte regra, mas é sempre bom lembrá-la: manter as plantas machos afastadas das fêmeas. Isto é especialmente importante quando se deseja criar um poli-híbrido, devido ao aumento da chance de cruzar as variedades erradas.
Em primeiro lugar, você deve coletar o pólen das plantas masculinas no momento certo. O pólen é o esperma das plantas e é necessário para fecundar as flores femininas e produzir sementes. Quando os sacos de pólen se abrirem, coloque um saco sobre a planta e sacuda-o.
As plantas femininas estão prontas para reprodução durante a fase inicial de floração, quando pequenos pistilos brancos começam a se formar. Essas estruturas “pré-flores” são basicamente pequenos fios de cabelo que se projetam do cálice para reter o pólen. A seguir, isole a planta fêmea escolhida para evitar polinização indesejada. Considere montar uma área de polinização para evitar contratempos.
Para polinizar as plantas femininas, coloque o saco de pólen nos galhos que estão formando buds. Feche o saco sobre cada galho e agite novamente. Deixe ali por 1 hora e repita o processo com todos os galhos que produzem buds. Ou simplesmente utilize um pincel, passe no pólen e consequentemente nos buds.
É muito importante registrar tudo o que você faz ao cultivar cannabis, especialmente durante o processo de criação de variedades poli-híbridas. É muito fácil misturar genes e perder a noção de qual macho cruzou com qual fêmea e qual é a variedade de cada uma delas. É melhor rotular cada planta individualmente, para que possam ser facilmente identificadas. Também é uma boa ideia criar uma planilha ou desenhar um fluxograma em um quadro branco para acompanhar todos os cruzamentos que você fez com cada planta individual. Escreva a data ao lado de cada tarefa para ajudá-lo a estimar os tempos de espera com mais precisão.
RETROCRUZAMENTO
Você já cultivou a mesma variedade de maconha várias vezes e percebeu que ela parece diferente cada vez que você a cultiva? Pode até ter um sabor um pouco mais doce ou mais amargo do que da última vez. Ou talvez você tenha cultivado a mesma variedade repetidamente e as plantas obtidas sejam diferentes? Essas diferenças dentro da mesma variedade são conhecidas como variabilidade genética. Embora as plantas venham da mesma linhagem, a sua expressão genética, ou fenótipo, é o resultado da forma como os seus genes respondem ao ambiente.
As diferenças de fenótipos se manifestam em diferentes tamanhos, produção de resina, cores, etc. As variedades de maconha também possuem quimiotipos diferentes, ou seja, os compostos químicos que produzem. Uma planta pode ter um nível mais elevado de certos terpenos, enquanto outra pode ter um teor de canabinoides ligeiramente mais elevado. Se você germinou um saco de sementes da mesma linhagem e notou uma grande diferença entre os fenótipos de cada planta, isso significa que a variedade é instável e as sementes são heterozigotas. Embora isto não seja necessariamente um problema para os amadores, pode ser problemático para os cultivadores avançados que procuram consistência nas suas colheitas.
Essa consistência pode ser alcançada estabilizando a genética de uma variedade, que produzirá sementes mais homozigotas, com muito menos variabilidade entre seus fenótipos. Mas como uma variedade é estabilizada?
A principal forma de conseguir isso é através da autofecundação ao longo de várias gerações. No entanto, outra forma comum de fazer isso é através do retrocruzamento, também conhecido como “BX” no léxico do cultivo da maconha. Quando os criadores desejam criar uma nova variedade, eles selecionam duas variedades parentais com características desejáveis. Ao cruzá-los, é produzida a primeira geração. O retrocruzamento envolve pegar um membro desta geração e cruzá-lo com uma de suas variedades parentais. Esta técnica de melhoramento ajuda a fixar a presença de um ou mais genes de uma das variedades parentais no background genético da outra, cruzando-os repetidamente entre si.
Por exemplo, se a variedade parental feminina for especialmente rica em THC ou CBD, ao cruzá-la com um dos seus descendentes masculinos que também partilha esta característica, as plantas da próxima geração terão esta característica reforçada. Isso ocorre porque eles conterão mais material genético da planta-mãe do que da planta-pai original.
Embora o retrocruzamento seja um método experimentado e testado para estabilizar a genética da maconha, o retrocruzamento excessivo pode causar problemas. Ao cruzar a genética tantas vezes, quaisquer genes recessivos que produzam características indesejadas também serão reforçados e transmitidos a todas as plantas nas gerações subsequentes.
Como você pode ver, existem algumas maneiras de preservar suas variedades favoritas e transformá-las em novas variedades por conta própria. Este guia tem como objetivo fornecer uma visão geral para começar, antes de mergulhar nos aspectos mais complicados do assunto. Bom cultivo!
Para comemorar 30 anos de estrada, a banda Planet Hemp fez um show especial no dia 11 de julho, no Espaço Unimed, em São Paulo, que foi gravado e agora está disponível para todos os fãs da ex-quadrilha da fumaça!
Pudemos acompanhar de perto, vivenciar e poder confirmar, “Baseado em Fatos Reais: 30 Anos de Fumaça” foi histórico, além da atual formação da banda com BNegão e Marcelo D2 (vocal), Formigão (baixo), Pedro Garcia (bateria), Nobru (guitarra), Renato Venom (DJ) e Daniel Ganjaman (teclado/guitarra), o show contou com participações especiais de Black Alien, Pitty, BaianaSystem, Zegon (Tropkillaz), Seu Jorge, Mike Muir (Suicidal Tendencies), Kamau, Emicida, Rodrigo Lima (Dead Fish), Major RD, As Mercenárias e outros parceiros da banda.
Antes da gravação, BNegão conversou com o DaBoa Brasil:
“Esse show de 30 anos tá uma viagem, literalmente, em todos os sentidos. A gente, a princípio, pensou de fazer um disco ao vivo pra registrar as músicas do Jardineiros e fazer alguma coisa diferente, algumas antigas, e depois veio essa ideia de trazer um pessoal pra participar.
E aí, isso virou outro esquema, virou outro mundo, o show. Então, pensar, conectar, trazer as pessoas que fazem parte da nossa caminhada, ou como influências, no caso, As Mercenárias, como Mike Muir, do Suicidal Tendencies, ou como gente contemporânea, ou como, tipo, Gustavo (Black Alien), Seu Jorge, Zegon, que fazem parte da nossa história, a galera que veio depois, que tem influência do Planet, como o Emicida, o Baiana System, a Pitty, nossa irmã das antigas, da época do Inkoma, que o Planet era do começo dos anos 90, ela era do final dos 90. O Rodrigo (Deadfish) também, que é um irmão, também da mesma geração da Pitty, né, que é uma galera mais nova, mas logo depois do Planet também, que a gente trombou na estrada esse tempo todo, enfim, e por aí vai, e vai ser uma onda foda mesmo. Vai ser demais!”, disse BNegão.
Ouça “Baseado em Fatos Reais: 30 Anos de Fumaça” em todas as plataformas digitais ou assista no canal da banda no YouTube.
Baseado em Fatos Reais: 30 Anos de Fumaça – Ficha Técnica:
Direção Executiva: Marcos Passarini
Direção Geral: Tito Sabatini
Produção Executiva: Flavia Confli
Lighting Designer: Paulinho Lebrão
Direção de Produção: Marieta Scatimburgo
Coordenação de Projeto: Robson Adriano
Direção Técnica de Vídeo: Gabriel Braga
Direção de Fotografia: André Batista
DTV: Daniel dos Santos
Engenharia de Áudio: Fernando Sanches, André Kbelo
Mixagem: Fernando Sanches, Pedro Garcia, Daniel Ganjaman
Master de Áudio: Estúdio El Rocha
Edição: Guilherme Bechara
Finalização: Guilherme Falótico
Colorização: Petronio Neto
Assistência de Direção: Julia Ro, Gui Conti
Enquanto o uso de maconha nunca matou ninguém em toda a história da existência humana, um estudo divulgado na última terça-feira (5) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que o consumo de álcool causa, em média, 12 mortes por hora no Brasil.
O levantamento, “Estimação dos custos diretos e indiretos atribuíveis ao consumo do álcool no país”, foi feito pelo pesquisador Eduardo Nilson, do Programa de Alimentação, Nutrição e Cultura (Palin) da instituição.
Os dados revelam que o consumo de álcool representou um custo para o Brasil de R$ 18,8 bilhões apenas em 2019. Do total, R$ 1,1 bilhão são de custos federais diretos com hospitalizações e procedimentos ambulatoriais no Sistema Único de Saúde (SUS).
Os outros R$ 17,7 bilhões são referentes aos custos indiretos como perda de produtividade pela mortalidade prematura, licenças e aposentadorias precoces decorrentes de doenças associadas ao consumo de álcool, perda de dias de trabalho por internação hospitalar e licença médica previdenciárias.
O levantamento foi realizado com base em estimativas de mortes atribuíveis ao álcool feitas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e levou em consideração para o cálculo um total de 104,8 mil falecimentos em 2019 no Brasil, o equivalente a 12 óbitos por hora.
Os números totais são de 104,8 mil mortes em 2019 no Brasil. Homens representaram 86% das mortes: quase a metade relacionam o consumo de álcool com doenças cardiovasculares, acidentes e violência. Mulheres são 14% das mortes: em mais de 60% dos casos, o álcool provocou doenças cardiovasculares e diferentes tipos de câncer.
Já o custo do SUS com a hospitalização de mulheres por problemas ligados ao álcool é 20% do total. Uma das razões é que o consumo de álcool pelas mulheres é menor. Na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2019), 31% delas relataram ter consumido álcool nos 30 dias anteriores à pesquisa, enquanto o percentual masculino foi 63%.
Outro motivo é que as mulheres procuram mais os serviços de saúde e fazem exames de rotina. Desse jeito, são tratadas antes que tenham complicações mais graves.
Em relação aos custos de atendimento ambulatorial atribuído à ingestão de álcool, a diferença entre os públicos masculino e feminino cai, considerando que 51,6% dos custos referem-se ao público masculino. Em relação à faixa etária, a incidência maior no atendimento ambulatorial ocorre nas pessoas entre 40 e 60 anos, sendo que 55% dos custos referem-se às mulheres e 47,1% aos homens.
Uma pesquisa publicada recentemente que combina uma revisão da literatura acadêmica com uma pesquisa com estudantes universitários conclui que a maconha é provavelmente uma ferramenta eficaz na redução de danos causados pelo transtorno do uso de opioides, ao mesmo tempo em que observa que “as percepções e o conhecimento variam”.
“Após uma revisão da literatura, é razoável concluir que a cannabis tem alguma eficácia no cenário de manutenção de opiáceos, bem como outros usos terapêuticos”, diz o novo artigo. À luz das preocupações públicas sobre overdoses de opioides nos EUA (local do estudo) e a possibilidade de a maconha ser reclassificada, ele acrescenta, “há uma possibilidade distinta de que o uso de maconha em modelos de redução de danos aumentará”.
A revisão primeiro analisa as evidências disponíveis sobre o uso da maconha como um substituto para opioides e outras drogas, observando que pelo menos alguns estudos indicaram que os canabinoides podem ajudar a reduzir os desejos relacionados a opioides e os sintomas de abstinência. Ela também aponta para dados autorrelatados sugerindo que algumas pessoas já estão reduzindo o uso de opioides em favor da maconha.
“Pesquisas atuais sugerem que a cannabis tem um grande potencial para redução de danos relacionados a opiáceos e terapias substitutivas”, diz o estudo, que é uma tese de mestrado da Augsburg University, em Minneapolis, pelo autor Clark Furlong. “Foi demonstrado que a cannabis melhora os efeitos analgésicos opioides enquanto reduz a tolerância e a dependência do paciente. Há pesquisas bem documentadas sobre a eficácia da cannabis para a substituição de drogas ilícitas (opiáceos) e produtos farmacêuticos (opioides). Em modelos animais, os canabinoides demonstraram reduzir os efeitos da abstinência de opiáceos (e, de forma anedótica, em humanos)”.
“Como tal”, continua, “a cannabis pode ter o potencial de diminuir resultados adversos e reduzir o comportamento de busca de drogas em pacientes que lutam contra o vício em opiáceos”.
“Há um forte conjunto de evidências que apoiam a teoria de que a cannabis pode ser eficaz em cenários de redução de danos relacionados a opiáceos”.
O artigo reconhece que o uso de maconha carrega seus próprios riscos, mas também observa que esses riscos são complicados e, muitas vezes, específicos do paciente. Por exemplo, ele diz que algumas pessoas podem usar cannabis para controlar a depressão, enquanto “o uso de cannabis pode preceder a depressão em outras”.
“Portanto, precisamos aprender sobre a droga e suas nuances”, continua Furlong, observando que “claramente mais pesquisas são necessárias” para entender como a substância pode ser “benéfica” para alguns, mas “incrivelmente prejudicial” para outros.
No geral, porém, o artigo observa que os riscos associados à cannabis são muito menos graves do que aqueles associados aos opioides.
“A cannabis pode ter alguns danos associados a ela, no entanto, parece haver muito menos do que com o uso de opiáceos”, diz. “Portanto, é possível que a cannabis possa melhorar vidas e fornecer melhores resultados quando comparada ao modelo atual de terapia de substituição/manutenção de opiáceos”.
Apesar de anos de mortes recordes relacionadas a opioides, “o tratamento não mudou”, afirma o estudo, “nem houve muito esforço em avanço farmacológico com intervenções de dependência de opioides. Até mesmo viciados em opioides em tratamento enfrentam uma taxa de mortalidade 12 vezes maior do que a do público médio”.
Enquanto isso, a metadona, um medicamento usado em alguns tratamentos assistidos com medicamentos para transtorno de uso de opioides, geralmente tem efeitos colaterais como “dificuldades de sono, problemas com desempenho sexual e incidentes cardiovasculares”, diz.
O artigo afirma que muitas pessoas deveriam ser “desintoxicadas e reduzir o uso do medicamento, que é como ele foi projetado para ser usado em programas de manutenção”, mas que pesquisadores e formuladores de políticas “ignoram eventos adversos e efeitos colaterais” do uso prolongado de metadona devido às “melhorias relatadas na qualidade de vida” dos indivíduos.
Os resultados da parte da pesquisa do novo artigo geralmente mostram apoio à noção de que a maconha pode ser uma ferramenta promissora para controlar o transtorno do uso de opioides.
Mais de 70% dos entrevistados disseram acreditar que há mais danos associados ao uso de opiáceos do que à maconha, e parcelas semelhantes disseram que a cannabis pode ser usada para controlar a dor e também para controlar os sintomas de abstinência de opiáceos.
Cerca de 65%, entretanto, disseram que conheceram alguém no ano anterior que usou maconha “para fins medicinais ‘não aprovados’”.
Notavelmente, cerca de dois terços dos entrevistados responderam que acreditam que a maconha tem um efeito positivo na saúde mental, mas dois terços também disseram que acreditam que a cannabis tem um efeito negativo na saúde mental.
No geral, 8 em cada 10 entrevistados também disseram acreditar que a cannabis deveria ser legalizada.
“Tendências na literatura sugerem que a cannabis tem um perfil de efeitos colaterais melhor e efeitos de saúde de longo prazo menos severos do que os opiáceos”, diz o estudo. “A maioria dos participantes sentiu como se mais danos estivessem associados aos opiáceos, este foi um ímpeto deste estudo e os resultados da pesquisa refletem as conclusões da literatura”.
“Foi demonstrado que a maconha reduz a dor e há evidências crescentes de uma relação simbiótica entre receptores de cannabis e receptores de opiáceos”, continua. “A população estudantil parece ser educada sobre o uso da cannabis em um cenário de dor, isso reflete a literatura, pois tem muitas aplicações em cenários de câncer, dor crônica e até mesmo cuidados paliativos”.
Por enquanto, Furlong reconhece que os estudos sobre maconha e opioides são “pequenos e frequentemente realizados com muitas limitações”, mas diz que “os pesquisadores acreditam que haverá uma explosão de dados nos próximos anos com a mudança na percepção pública da cannabis e o potencial reagendamento da planta no nível federal”.
“No entanto, a eficácia comprovada da cannabis no controle da dor e do câncer, juntamente com seus outros usos/benefícios e perfil de efeitos colaterais bastante seguro, fazem dela uma excelente candidata para exploração posterior em pesquisas sobre substituição de vícios”, diz o artigo.
O estudo foi publicado poucos meses depois de um estudo separado, financiado pelo governo dos EUA, ter descoberto que a maconha ajuda pessoas com transtornos por uso de substâncias a ficarem longe de opioides ou a reduzir seu uso, manter o tratamento e controlar os sintomas de abstinência.
Pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia decidiram investigar a relação entre o consumo de maconha e a injeção de opioides, recrutando 30 pessoas em Los Angeles em um local comunitário próximo a um programa de troca de seringas e uma clínica de metadona para analisar a relação.
“Os participantes relataram o uso de substituição ou co-uso de cannabis para controlar a dor dos sintomas de abstinência, como dores no corpo e desconforto generalizado, o que levou à diminuição da frequência de injeções de opioides”, descobriram os pesquisadores.
O estudo, publicado pelo periódico Drug and Alcohol Dependence Reports, foi parcialmente financiado pelo Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas (NIDA) dos EUA e respalda um conjunto considerável de literatura científica que indica que o acesso à maconha pode compensar os danos da epidemia de opioides, seja ajudando as pessoas a limitar o uso ou dando-lhes uma saída completa.
Outro estudo recente realizado em Ohio descobriu que a grande maioria dos pacientes que fazem uso de maconha no estado afirma que a cannabis reduziu o uso de analgésicos opioides prescritos, bem como de outras drogas ilícitas.
Um relatório separado publicado recentemente no periódico BMJ Open comparou a maconha medicinal e os opioides para dor crônica não oncológica e descobriu que a cannabis “pode ser igualmente eficaz e resultar em menos interrupções do que os opioides”, potencialmente oferecendo alívio comparável com menor probabilidade de efeitos adversos.
Um estudo também financiado pelo governo do país norte-americano publicado em maio concluiu que até mesmo alguns terpenos de cannabis podem ter efeitos analgésicos. Essa pesquisa descobriu que uma dose injetada dos compostos produziu uma redução “aproximadamente igual” nos marcadores de dor em camundongos quando comparada a uma dose menor de morfina. Os terpenos também pareceram aumentar a eficácia da morfina em camundongos quando os dois medicamentos foram administrados em combinação.
Outro estudo, publicado no final do ano passado, descobriu que a maconha e os opioides eram “igualmente eficazes” na redução da intensidade da dor, mas a cannabis também proporcionava um alívio mais “holístico”, como a melhora do sono, do foco e do bem-estar emocional.
Um estudo publicado no verão passado relacionou o uso de maconha a níveis mais baixos de dor e à redução da dependência de opioides e outros medicamentos prescritos. Outro, publicado pela American Medical Association (AMA) em fevereiro, descobriu que pacientes com dor crônica que receberam maconha por mais de um mês viram reduções significativas nos opioides prescritos.
Cerca de um em cada três pacientes com dor crônica nos EUA relatou usar cannabis como uma opção de tratamento, de acordo com outro relatório publicado pela AMA no ano passado. A maioria desse grupo disse que usava cannabis como um substituto para outros medicamentos para dor, incluindo opioides.
Enquanto isso, um artigo de pesquisa de 2022 que analisou dados do Medicaid sobre medicamentos prescritos descobriu que a legalização da maconha para uso adulto estava associada a “reduções significativas” no uso de medicamentos prescritos para o tratamento de múltiplas condições.
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